"Isto sim é ser carioca", foi o que se leu nos jornais do Rio quando da conquista da chaminé Galloti (*), em 1954. Tal apelo nacionalista, no fundo, respondia a uma história que remonta a 1817, quando uma inglesa de 39 anos, seu filho e um séquito chegaram ao cume do Pão de Açúcar pelo atual paredão do Costão e ali fincaram a bandeira da Inglaterra. Um sargento português, José Maria Gonçalves, ficou tão indignado com a notícia que, no dia seguinte, substituiu sozinho, depois de uma escalada de seis horas, a bandeira inglesa pelo estandarte luso.
Duas décadas mais tarde, o fato se repetia - dessa vez com o pendão de um Brasil recém-independente substituindo uma insistente flâmula inglesa: os britânicos haviam subido de novo. Em agosto de 1889, crepúsculo do Império, alunos da Escola Militar da Praia Vermelha escalaram o Costão carregando uma bandeira com oito metros de altura e na qual se lia "SALVE", em homenagem a D. Pedro II. Consta que o Imperador ficou tão tocado com o mimo que cumprimentou os rapazes pessoalmente. A partir de então, escalar o Pão de Açúcar se tornaria cada vez mais comum. Hoje, são mais de 200 vias de acesso ao cume. Além do bondinho, claro.
(*) Homenagem ao senador Francisco Galloti amigo da família Menescal.
Matéria publicada na Mitsubishi Revista - nº. 15 - Setembro de 2004 - por Stelio Marras e André Vianna. |